• Vadis da Silva

Combata a Covid, não o turismo interno

O turismo doméstico vive tempos incertos. O setor precisa agir já para não chorar sobre as consequências depois.

Como se já não bastasse o duro golpe dado pela pandemia -, a perda total - para os players do turismo receptivo e emissivo internacional; agora, também está sendo assinada sentença condenatória do turismo doméstico, por meio de decisões unilaterais de prefeitos que, sem coragem de tomar medidas corretas e duras, no combate a Covid-19, levam todo o turismo doméstico para o sacrifício, roubando-lhes, os feriados de 2021 e 2022, com a justificativa da emergência sanitária.

O precedente aberto pelo prefeito Covas, da cidade de São Paulo, já seguido por outros importantes municípios, será uma catástrofe para o nosso turismo doméstico. Se esta onda pegar – “onde passa boi passa boiada” – o turismo nacional verá seu período de crise se prolongar, no mínimo até 2023.

Aqui cabem duas perguntas, para efeito de ilustração: 1) O que seria dos produtores de soja se os prefeitos lhes roubassem a oportunidade da colheita da principal safra anual? e, neste mesmo sentido, porém, em outro ângulo, 2) porque o privilégio de ampliar a oportunidade de dias de produção para todos os outros setores da economia, em detrimento apenas do turismo doméstico nacional, considerando serem esses municípios, importantes destinos emissores de turistas brasileiros? Conforme sentencia o ditado popular que “desgraça pouca é bobagem”, a catástrofe para o turismo interno ganhará ainda maior proporção quando esses mesmos municípios e, com a mesma força maléfica, o ato insano se propagará pelo país afora –, quando seus secretários de educação acabarem por restringir e, em muito, as férias escolares, com o pretexto de recuperar o período letivo perdido durante a pandemia? será a derradeira pá de cal.

Diante do atual cenário, podemos tirar pelo menos 4 conclusões óbvias: 1) A vacinação acontecerá e, a partir daí, a vida começa o seu retorno à normalidade, provavelmente, a partir de agosto de 2021;

2) As fronteiras internacionais começarão a abrir e o turismo emissivo internacional ressurgirá das cinzas e, rapidamente, retomará seus níveis de ganhos, impulsionados pela alta oferta e organização dos mercados receptivos internacionais, mesmo com dólar na estratosfera os brasileiros endinheirados voltarão à rotina das suas viagens internacionais; 3) O turismo receptivo internacional, formado por menos de 5% da nossa cadeia, igualmente retornará, porém, num prazo um pouco mais dilatado, considerando o receio internacional em nos visitar devido a pecha que ganhamos, de "covideiros do mundo", por conta da má gestão no combate a pandemia; e, 4) Quanto ao turismo doméstico, por falta de foco, continuará com a sua oferta desorganizada, sua cadeia de distribuição praticando custos aviltantes e os governos jogando dinheiro fora – dando tiro para todos os lados com a justificativa de estimulação da demanda. Isto tudo, com um agravante fatal – sem poder contar com a “safra” dos feriados, que terão sido roubados do setor, pelos prefeitos de grandes destinos, todos, igualmente grandes emissores de turistas que, por conta do dólar nas alturas, seus munícipes poderiam estar fazendo viagens pelos destinos brasileiros.

Conclusão: O turismo interno restará como a maior vítima, também pós pandemia.

Tudo bem que ainda não estamos sendo "capazes" de demonstrar a nossa força no universo da economia nacional; contudo, é despicienda reafirmar aqui, neste momento, a óbvia importância do turismo que, em grande parte, se dá em períodos de férias e feriados, considerando o seu relevante papel para o desenvolvimento socioeconômico dos destinos brasileiros.

Infelizmente o cenário que se prenuncia é tenebroso. Por isso, precisamos nos preparar, tirar as "partes glúteas" da cadeira e partir para a ação no estabelecimento de uma agenda única, e no desencadeamento de ações articuladas, em âmbito nacional, na defesa do setor, antes que seja tarde. Como lembra outro ditado – “a vida não tem controle remoto. Você precisa se levar e trocar o canal”. Esta é a atitude recomendada neste momento para o setor, se quisermos atuar como atores dos nossos destinos. O tempo urge!

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo